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O que é arteriosclerose dos membros inferiores?

Arteriosclerose dos membros inferiores é uma doença que acomete a parede das artérias. Caracteriza-se pela presença de ateromas (depósitos localizados de lipídes ou gorduras, carboidratos, componentes do sangue, tecido fibroso e cálcio) nas grandes e médias artérias. Pode ocorrer em todas as artérias do corpo, principalmente nas do cérebro, coração e membros inferiores.

Quais os principais sintomas?

Claudicação intermitente: Geralmente primeira manifestação. Caracteriza-se por dor em cãibra, paralisia, aperto ou fadiga de certos músculos durante o exercício/caminhada, melhorando com a interrupção do mesmo. Com a evolução da doença diminui a distância percorrida e aumenta o tempo para recuperação.

Dor em Repouso: Resulta de isquemia (falta de circulação) grave. Ocorre mais comumente ou piora a noite, quando o membro está em posição horizontal. Pode chegar a impedir o sono. É comum que o pacientes assuma posições ou medidas para evitar a dor: flexionando ou mantendo as pernas pendentes, esfregando o local, ou tentando andar.

Dor Neuropática Isquêmica: pode ser muito intensa e de difícil tratamento. Acompanha o trajeto de um ou mais troncos nervosos periféricos. Pode se manter mesmo após a restauração do fluxo.

Distúrbios Sensitivos: + comuns: adormecimento e formigamento das pernas. Outras: Queimação e esfriamento do membro.

Sensibilidade ao frio: a dor e os sintomas pioram com o frio.

Impotência sexual: ocorre principalmente quando há o acometimento das artérias que são responsáveis por essa função.

O que é claudicação intermitente?

É aquela dor que aparece geralmente na "batata da perna" (panturrilha) durante uma caminhada, depois que a pessoa anda uma certa distância, por exemplo, 300 metros. Esta dor desaparece quando a pessoa pára de andar ou descansa, e retorna assim que se volta a caminhar. É um sintoma muito comum nas pessoas que têm problemas de circulação do sangue nas pernas.

Quantas pessoas têm claudicação intermitente? Em que idade é mais freqüente?

Aproximadamente 5% das pessoas têm claudicação intermitente. Ela aparece principalmente entre os 55 e 60 anos de idade, por causa da aterosclerose.

Por que pessoas mais jovens podem ter claudicação intermitente?

Quando a claudicação intermitente aparece em pessoas mais jovens, isso pode ser sinal de outras doenças menos comuns, como a tromboangeíte obliterante (inflamação das artérias relacionada ao uso de cigarros), o entralaçamento da artéria poplítea (alterações congênitas das artérias da perna) e o cisto da artéria poplítea.

O que pode aumentar a chance da pessoa ter claudicação intermitente?

Como uma das principais causas da claudicação intermitente é a aterosclerose, tudo aquilo que aumenta a chance dessa doença aparecer também aumenta o risco de claudicação intermitente. Entre os fatores de risco mais importantes podemos citar: o fumo, os alto níveis de colesterol, triglicérides (tipo de gordura) e açúcar (diabete melito) no sangue, a pressão alta (hipertensão arterial), idade acima de 45 anos para homens e 55 anos para mulheres e história de morte súbita antes dos 55 anos para o pai e antes dos 65 anos para a mãe.

O que acontece com quem tem claudicação intermitente?

No inicio do problema e nos casos mais leves, a dor nas pernas costuma desaparecer quando a pessoa descansa, pára de caminhar ou diminui o esforço da caminhada. Com o passar do tempo, ela começa a sentir dor depois de andar cada vez menos (por exemplo, antes sentia dor após andar 300 metros e agora sente dor aos 150 metros), mas a dor ainda passa com o descanso. Depois disso, a dor continua mesmo no descanso e piora á noite (dor em repouso) obrigando a pessoa a ficar com o pé para baixo ou "pendente" para sentir menos dor (deixando o pé para baixo, fica um pouco mais fácil do sangue chegar ao pé, e a dor tende a diminuir um pouco; embora a longo prazo essa atitude faz com que a circulação do membro fique ainda mais prejudicada devido ao edema ou inchaço). Esse é um estágio já avançado da doença e pode necessitar de tratamento cirúrgico. Nos casos mais graves, a falta de sangue e de oxigênio é tão grande que partes da perna ou pé (no começo os dedos dos pés e depois podendo avançar para do dorso do pé e até o restante da perna) podem gangrenar (morte do tecido devido a falta de oxigênio) se o paciente não for tratado adequadamente.

Quais as alterações comuns no exame físico de quem têm circulação diminuída nas pernas?

Alterações da cor: pode ocorrer com o paciente em repouso ou, então, a elevação onde ocorre uma palidez e declive observando-se uma coloração avermelhada.

Alterações na pele: a pele pode se apresentar seca e descamativa e até em estágios mais avançados com ulceras isquêmicas (devido a diminuição da circulação).

Alterações em pêlos e unhas: queda de pêlos; unhas espessadas irregulares e de crescimento lento.

Diminuição do diâmetro do músculo da perna.

Edema ou inchaço: principalmente quando o paciente fica com a perna pendente.

Alterações da temperatura: a pernas ficam mais frias.

Ausência ou diminuição dos pulsos: constitui o sinal mais característico.

Quando e quais exames complementares podem ser feitos?

Os exames complementares devem ser indicados por especialistas (Angiologista e/ou Cirurgião Vascular) e principalmente nos pacientes que se apresentam com queixa de claudicação limitante (dor na panturrilha para caminhar menos de 50 metros), dor em repouso ou com ulcerações isquêmicas nas pernas. Os exames mais utilizados são:

Mapeamento Duplex ou Ultra-Sonografia vascular: têm a vantagem de ser menos invasivo e portanto não doloroso para o paciente. Fornece para o médico a imagem do vaso e também a sua medida de fluxo do sangue (velocidade). Serve como um exame anterior a arteriografia, inclusive substituindo-a em alguns casos.

Arteriografia: é feito através de cateterismo, portanto mais dolorosa e não isenta de complicações (sangramento, formação de hematomas etc.). indicada nos casos em que ao menos se cogite um tratamento cirúrgico.

Angiorressonância/Angiotomografia helicoidal multi-slice: Exames não invasivos com grande aprimoramento técnico, provavelmente substituindo a arteriografia com "padrão ouro" num futuro próximo.

Quais os tipos de tratamento?

Há vários tipos de tratamento, e a escolha vai depender da gravidade do problema e se a pessoa tem ou não outras doenças associadas. De qualquer forma, sempre é recomendável que o indivíduo mude certos aspectos em seu estilo de vida com por exemplo caso seja fumante, deve parar de fumar. Substâncias químicas do tabaco podem danificar suas artérias. Estas substâncias químicas também podem aumentar sua chance de ter complicações de doença. Além de deixar de fumar, é recomendável manter um peso saudável, seguir um programa de caminhada estruturado pelo menos 3 ou 4 vezes por semana, e dieta com um de baixo teor de gordura e rico em fibra. Além de um controle rigoroso da pressão sangüinea.

Os casos mais leves são tratados com medicamentos que dilatam os vasos ou vasodilatadores (assim, mais sangue e oxigênio passam, por exemplo o cilostazol e a pentoxifilina); que diminuem os níveis de colesterol e de triglicérides (por exemplo, estatinas); que diminuem a formação de coágulos (por exemplo antiagregantes, AAS, ticlopidina etc); os que controlam a pressão arterial (por exemplo, inibidores da enzima de conversão, captopril, enalapril etc); e no caso dos pacientes diabéticos com hipoglicemiantes (glibenclamida, metfomina etc) ou insulina.

A angioplastia ou tratamento cirurgico está indicado nos casos em que a distância percorrida é tão pequena que acaba interferindo na sua qualidade de vida (geralmente menos de 50 metros), quando o paciente apresenta dor em repouso ou ulcera isquêmica.

Angioplastia (com ou sem stent): Durante um procedimento de angioplastia um cateter, é inserido em um pequeno furo em cima de uma artéria em sua virilha e conduzido com guia por suas artérias até a área doente. Uma vez lá, um balão especial preso ao cateter é insuflado e esvaziado várias vezes. O balão empurra a placa de aterosclerose da artéria contra suas paredes alargando a sua luz. Em algumas circunstâncias, um tubo de metal minúsculo chamado de stent pode ser colocado na área estreitada de sua artéria para mantê-la aberta. O stent permanece permanentemente em sua artéria. Depois de uma angioplastia bem sucedida o sangue flui mais livremente pela artéria.

Video1:Quais os tipos de tratamento?

Cirurgia de Bypass ou Ponte: Consiste na confecção de um desvio para suprimento de sangue em uma região do vaso sangüíneo além da obstrução. O conduto para esse Bypass (desvio) pode ser de material sintético, ou uma veia natural (por exemplo, a veia safena).

Por que é bom caminhar mesmo tendo circulação diminuída nas pernas?

A caminhada é um dos exercícios mais benéficos e que quase todas as pessoas podem praticar. Quando ela é feita adequadamente e sob orientação médica, ajuda a aumentar a capacidade de funcionamento do coração, dos pulmões e também dos músculos das pernas. A caminhada fortalece esses músculos, facilitando o bombeamento de sangue e a chegada de oxigênio para as pernas. Para aquelas pessoas que têm vida sedentária, recomenda-se que nos primeiros dias a caminhada seja "leve" e feita durante cerca de 10 minutos, no mínimo três vezes por semana. Depois, pode-se aumentar progressivamente o tempo de caminhada (por exemplo, primeira semana = 10 minutos por dia; segunda semana = 15 minutos por dia, e assim sucessivamente até se atingir cerca de 30 minutos de caminhada por dia), durante pelo menos 3 vezes por semana. Lembrar que a caminhada como qualquer outro exercício físico, não deve ser feita em jejum (por isso sugere-se que a pessoa coma alguma coisa "leve" antes do exercício). Deve se caminhar tranquilamente, sem "exagerar", pois o excesso de esforço físico também pode causar problemas de saúde. É importante dizer que, quando se interrompe esse ritmo semanal de caminhada, por qualquer que seja o motivo, a pessoa deve recomeçar (por exemplo, primeira semana = 10 minutos etc.), com calma e sempre com orientação do seu médico.

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